Ego e Self

Quem somos de verdade? 

Descartes escreveu um frase celebre, "Eu penso, logo existo", que viria a condicionar, propagar e espelhar-se na mentalidade do homem ocidental até aos dias de hoje e cuja implicação nos torna cada vez mais prisioneiros de nós próprios, mantendo-nos na roda do sofrimento e numa vivencia inconsciente de projeção externa de tudo o que experiencia-mos, com ausência de responsabilidade, pelo ato de criação das nossas vidas.

Somos muito mais do que os nossos pensamentos! Quando nos identificamos com a mente, com o ego e os pensamentos, ficamos de tal maneira acoplados a essa voz que incessantemente nos matraqueia a cada instante, que acreditamos que somos apenas aquilo que pensamos e isso manifesta se na nossa vida presente porque estamos simplesmente a criar essa realidade para nos! 

Pensamos que somos Eus, separados dos outros e da natureza. Assumimos a nossa individualidade e lutamos pela sua sobrevivência, em constante estado de alerta da ameaça externa que nos assola e que nos roube desse estado de reconhecimento que luta por ser reconhecido, amado, protegido! 

No tempo do homem das cavernas, a ameaça era concreta e punha em causa a sobrevivência física do ser. Hoje em dia, essa ameaça torna-se abstrata pois não representa geralmente uma ameaça de ordem física, mas sobretudo uma de mental ou emocional, tudo o que ponha em causa a sobrevivência do Ego e da sua profunda vontade de persistir. Queremos ter razão, ser melhor do que os outros, comparado-nos, julgamos, cobrando, querendo mais e mais poder sobre os outros ou culpado-nos e fazem-nos de vitimas! O Ego tem mil caras, mil máscaras que coloca dependendo da nossa história pessoal.

E claro está que apesar deste Eu, achar que nos quer proteger, ele vive e alimenta-se das emoções negativas que instala no corpo, criando máscaras de reação perante os outros, que perpetuam os programas instalados e as crenças de eterno pensamento - emoção - pensamento, a eterna roda a que Augusto Cury chama de síndrome do pensamento acelerado. E quando o pensamento não atua em algum dito dia, se existe padrão instalado, é o próprio corpo que incessantemente procura a emoção para que a mente dela se alimente e mantenha o ciclo vivo.

Se os pensamentos são de raiva, julgamento, ressentimento, culpa, medo, vítima, tristeza, nesse momento, através da identificação com o mundo das formas, criamos e somos isso mesmo e tudo o que atraímos à nossa vida são pessoas e situações que realçam, espelham e nos levam para esse estado de ser criado internamente por nós próprios! 

Desta forma cedemos todo o nosso poder ao Ego e por consequência aos outros, que ditam e controlam o nosso estado de Ser.

Se, por outro lado, tomarmos consciência do outro Eu que existe profundamente dentro de nós e nos permitirmos aceder ao estado de tranquilidade quando o silêncio inunda a mente e nos permitimos simplesmente SER no momento presente, deixamos de estar condicionados pelos pensamentos e emoções do passado, assim como pelo medo, a preocupação e a ansiedade do futuro! 

A isto chama-se o Despertar da Consciencia! Para mim significa simplesmente tomar consciência que existe outro Eu dentro de nós, para além do Ego! Quando conseguimos dissociar-nos da mente, deixamos de nos identificar com o que pensamos e o que sentimos e constatamos que somos algo para além desse estado pensante. Nesse momento de dissociação da mente, onde o pensamento cessa, existe a quietude do Ser e quando nos permitimos estar nesse Eu, sentimos que o tempo cessa também. Não existe passado nem futuro, mas apenas o aqui e agora do presente, onde a culpa ou ressentimento do passado, onde o medo ou a ansiedade do futuro não chega, porque no presente nada disso existe, só o SER!

Nesse momento compreendemos, que as reações de reatividade perante os outros não são mais do que espelho e projeção do nosso Ego. Com esta nova consciencia, assumimos as rédeas do nosso poder interior e sentimos que somos de verdade os criadores da nossa vida, em todas as suas ações. Quando permitimos que o Ego tome as redes, criamos também, mas pelo menos, já nos conseguimos colocar como observadores da mente e assumimos total responsabilidade da nossa intervenção no mundo.

Ao silenciarmos esse ruído mental que muitas vezes não dos dá descanso, permitimo-nos escutar com o corpo a voz da Essência! Nesse estado de Ser, a magia dá-se e conseguimos tocar quem somos de verdade: luz, paz, amor, alegria, abundância, compaixão e unidade com o todo!

Nas danças circulares sagradas, o circulo expressa a divina realidade mais profunda da existencia!

O círculo simboliza a unidade, pois em círculo tudo está conectado, tudo pertence e tudo É em equilíbrio, valor e harmonia, pois nele não existem hierarquias! 

No círculo, não existe a linearidade do tempo, pois nele está contido todo o tempo que É, não existe passado nem futuro, mas eterno presente, pois o círculo não tem princípio nem fim! 

No movimento giratório do círculo tudo está em constante criação e transformação, vida, morte e renascimento, numa eterna espiral que nos encaminha para o infinito centro de tudo o que É!

O Círculo representa a expressão da Essência,